O que morre quando o “eu” morre?
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O que morre quando o “eu” morre?

[Morre, que é como quem diz, transforma-se pois a morte não é em si um fim senão um reencontro!]

Quando o “eu” morre, morre o corpo e com ele todas as funções vitais. Mas, muito mais do que o corpo, morre aquele a que chamo de “eu” e com ele todos os dramas, todos os personagens e todas as estórias presas de uma identidade. Morre o que foi dito e o que fica por dizer. E mesmo que, por um tempo, tudo isso habite na memória do coração de quem nos guarda, também um dia há-de morrer, e aí o “eu” será o que sempre foi – um “nada”.

Agora, neste amanhecer que ainda não acordou escrevo esta reflexão e percebo que é exactamente a transformação em “nada” que torna a morte tão temida. Ora, se em vida houvéramos realizado esse tão verdadeiro facto, haveríamos morrido muitas vezes para assim podermos renascer, mais inteiros nesse “nada” que é tudo e o todo que somos.

Se em vida houvéramos realizado que somos “nada” não nos teríamos debatido para manter qualquer identidade ou persona e teríamos sido mais autênticos e livres.

Se em vida nos tivéssemos sentado, lado a lado, com o “nada” que somos teríamos mergulhado profundo, pois esse “nada” é repleto de tudo.

Tornarmo-nos “nada” é provavelmente um dos maiores constrangimentos que a morte representa para a cultura ocidental, a qual ainda não percebeu que o “nada” é pleno, belo e infinito. O “nada” afinal de contas está cheio e nesta cultura ainda se apregoa que se é o que se faz e o que se tem e isso, isso morre quando o “eu” morrer!

Ser “nada” é muito mais do que se “ser alguém”. Ser nada é sermos tudo e todos a cada instante. Ser “nada” é liberdade!

E tu, arriscas o voo?